Portefólio de psicologia 12ºano

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Dez 07
Dados biográficos:
 
Wilhelm Wundt nasceu em 1832, na Alemanha.
Com dezanove anos, formou-se em medicina, mas rapidamente se apercebeu de que o seu interesse não era este, tendo-se, então, especializado em fisiologia. Enquanto professor, investiga o modo como se processa a informação sensorial, o que o leva a orientar-se para a psicologia. Na sua obra Contributos para uma Teoria das Percepções Sensoriais, utiliza pela primeira vez a designação de “Psicologia Experimental”.
Tomando como modelo as ciências experimentais, propõe-se constituir a psicologia como uma nova área da ciência objectiva e experimental.
Na obra Princípios da Psicologia Fisiológica, estabeleceu os princípios da psicologia como a ciência experimental independente.
Durante 10 anos, dedicou-se à investigação de uma área da psicologia na qual foi o primeiro investigador sistemático: a Psicologia Cultural. Na sua obra Psicologia Cultural, abordou o desenvolvimento do pensamento humano manifestado na linguagem, nos costumes, nos mitos, nas artes, nas leis e na moral.
Morreu em 1920.
 
 
A Consciência:
 
O objecto de estudo de Wundt era a consciência e os processos mentais. A consciência era constituída por várias partes distintas. Para ele, “ a primeira etapa da investigação de um facto deve ser uma descrição dos elementos individuais (…) dos quais consiste”. Tal como os átomos constituem as substâncias químicas, as sensações seriam os elementos simples da mente e da consciência. Mas não aceitava que os elementos constitutivos da mente se combinassem de forma passiva através de um processo mecânico de associação. E aqui diverge dos empiristas e dos associacionistas, com quem só partilha o reconhecimento dos elementos simples como forma de se poder conhecer os processos psicológicos complexos. Para Wundt, os elementos da consciência não eram estáticos: a consciência tinha um papel activo na organização do seu próprio conteúdo.
Era este processo activo de organização que mais interessava a Wundt. Ele considerava que era compatível o reconhecimento dos elementos simples da consciência e a afirmação de que a mente consciente tem capacidade para proceder a uma síntese desses elementos em processos cognitivos de nível mais elevado.
A metodologia a seguir deveria partir dos elementos básicos dos processos conscientes.
 
 
As sensações e os sentimentos:
 
            Os elementos simples que constituem a consciência eram as sensações e os sentimentos. As sensações ocorrem sempre que um órgão dos sentidos é estimulado e esta informação é enviada ao cérebro. O sentimento é a componente subjectiva da sensação. Assim, uma sensação pode ser acompanhada de um sentimento de alegria ou tristeza, como acontece, por exemplo, com as cores (sensação visual). Ele decidiu submeter a sua turma a uma experiência: Levou para a sala de aula um metrónomo, e registou as reacções dos seus alunos ao incomodativo som. De notar que o sentimento subjectivo acontece ao mesmo tempo que as sensações físicas. A emoção é, assim, constituída por um conjunto complexo de sentimentos.
            Segundo Wundt, partindo de elementos simples como as sensações, a consciência, no seu processo criativo de organização, produzia ideias.
            Mas, se o estudo dos processos mentais deveria seguir o percurso do mais simples ao mais complexo, o mesmo não se passava com a forma como conhecemos o real. Assim, quando percepcionamos uma casa percebemo-la como uma unidade, um todo, e não como uma soma de elementos que podem ser estudados num laboratório. Wundt recorre ao conceito de apercepçao para explicar esta experiência consciente unificada: processos de organização dos elementos mentais que formam uma unidade. Esta unidade não é a soma dos elementos constitutivos, mas uma combinação que gera novas propriedades e características. Wundt afirma: “Todo o composto psíquico é dotado de características que de modo algum consistem na mera soma das características das partes.” Com esta citação, Wundt quer dizer que as características da consciência não são as mesmas do que as dos seus constituintes.
 
 
Metodologia de investigação:
 
Wundt utiliza como método a introspecção controlada: só o sujeito que vive a experiência a pode descrever introspeccionando-se, fazendo auto-análise dos seus estados psicológicos em condições experimentais.
            Na sua experiência com o metrónomo, Wundt exigia um grande rigor nas descrições, que seriam quantificadas. O objecto da introspecção é o próprio sujeito, enquanto o objecto das observações que se fazem nas outras ciências é o real exterior ao sujeito.
            Contudo, a introspecção controlada só dava a conhecer os elementos básicos da consciência, as sensações e as percepções; os processos mentais complexos, como a memória e a aprendizagem, não poderiam ser estudados experimentalmente, tendo de se recorrer a metodologias qualitativas.
 
 
Conclusão:
           
            Wundt teve um papel importante na história da psicologia. Demarcou-se do pensamento dominante da época, procurando autonomizar a psicologia da filosofia. Definiu um objecto, a consciência, e um método de investigação, a introspectiva controlada. Procurou ainda desenvolver uma teoria sobre a natureza da mente humana que conjugasse a componente biológica e a componente social, o mundo interno e o mundo externo, a dimensão individual e a colectiva.
            Por esta altura, várias criticas foram feitas ao seu trabalho. Um dos que mais criticou o seu método (introspecção controlada) foi Sigmund Freud, que afirmava que este método era demasiado ridículo para ser utilizado na sua investigação. Sugeriu então o método psicanalítico.

Texto de produção própria, mas baseado no livro "Ser Humano", Manual de Psicologia B do 12º ano da Porto Editora.

publicado por psicologiaxxi às 19:05

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