Portefólio de psicologia 12ºano

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Dez 07
Dados biográficos:
 
Um dos vultos mais notáveis da medicina. Fundador da psicanálise.
Nasceu a 6 de Maio de 1856 em Freiberg, Morávia.
Em 1881, recebeu o diploma de médico e, inicialmente, arranjou colocação no Hospital de Viena. Mais tarde, optou por trabalhar por conta própria tratando desordens psicológicas.
Em 1885, Freud seguiu para Paris, onde se familiarizou com a técnica hipnótica. Rapidamente, contudo, encarou a hipnose como algo temporário, tendo então adoptado um método alternativo que lhe fora sugerido pelo seu amigo Josef Breuer, que defendia que os sintomas da doença seriam atenuados­­­­ – e até ultrapassados – se o paciente fosse encorajado a falar livremente.
Freud e Breuer elaboraram a noção de que muitas fobias têm origem em experiências traumáticas sofridas durante a infância. Juntos estudaram o caso de uma paciente que dava pelo nome de Anna O, nome que lhe deram para respeitar a sua privacidade. Era uma doente que sofria de um problema de histeria e que Breuer i Freud tentaram curar através do método hipnótico.
Os dois amigos acabaram por se separar devido a diferenças de opinião, pois Breuer considerava que Freud dava demasiada importância à sexualidade para tratar os doentes. No seu livro A interpretação dos sonhos definia os sonhos como representações dos desejos reprimidos, e foi considerado a obra-prima do médico.
Nos seus estudos sobre a infância, Freud concluiu que entre os três e os cinco anos as crianças atingem um estádio onde sentem uma forte atracção pelo progenitor do sexo oposto (Estados de Édipo e de Electra). Elaborou então a teoria psicanalítica, que dá especial ênfase à sexualidade, mas gerou escândalo e as novas ideias foram mal recebidas.
A teoria de Freud alicerçava-se em duas vertentes: ciência médica e filosofia. Enquanto cientista, interessava-o a forma como a mente afecta o corpo, estudando a paranóia, a histeria e outros distúrbios. Enquanto teórico, explorava a formação da personalidade. Em 1923, criou um modelo da mente que consistia em três elementos: o ego, o id, e o superego. Nos seus estudos teóricos e clínicos criou novos conceitos e termos, como libido, subconsciente e complexo de inferioridade.
Em 1938, com a psicanálise proibida na Áustria e com os nazis em Viena, a família Freud partiu para Inglaterra onde o médico morreu no ano seguinte, vítima de cancro.


“Anna O” e o Nascimento da Psicanálise:
Em 1895, dois médicos vienenses, Josef Breuer e Sigmund Freud, publicaram o livro Estudos sobre a história, em que descrevia a terapia utilizada por Breuer para ajudar uma mulher que sofria de histeria. Para respeitar a sua privacidade chamaram-lhe “Anna O”.
Quando Breuer começou a tratar Anna O, em Novembro de 1880, esta era uma jovem de 21 anos que sofria de uma grande quantidade de sintomas físicos graves e incapacitantes. Tinha ambas as pernas imobilizadas, mal podia mexer a cabeça devido a paralisia dos músculos do pescoço, perdera a sensibilidade do braço direito, não falava e sofria de alucinações – recolhera à cama, de onde, de olhos semicerrados, olhava em redor de forma desconfiada e defensiva. Breuer diagnosticou um caso de histeria.
Na década de 1880, a hipnose era um método aceite no tratamento da histeria. O médico dizia à doente hipnotizada que, quando acordasse, os sintomas teriam desaparecido. Embora a sugestão hipnótica fosse frequentemente eficaz, o alívio era apenas temporário – os sintomas geralmente reapareciam, idênticos ou mais ou menos modificados. Com Anna O, no entanto, Breuer foi alem da hipnose, interessando-se pela sua vida.
Pouco a pouco, ela revelou experiências passadas que tinham ligações fascinantes com os sintomas actuais.
Com o tempo, Anna O deixava-se hipnotizar facilmente e respondia às perguntas, recordando cada vez mais o seu passado. Ela própria chamava a este processo “a cura pela fala”. Breuer confessou que o sucesso da cura de Anna o apanhou totalmente desprevenido, e só quando todos os sintomas foram erradicados por este processo ao fim de uma série de sessões, conseguiu aceitar a validade desta nova técnica terapêutica.
Na Primavera de 1882, Breuer decidiu que a sua doente já não precisava dele, mas Anna O não estava tão certa disso. Subitamente, foi vitima de graves cãibras, e , ao entrar no seu quarto, Breuer viu-a torcendo-se com dores. Médico responsável e pai de família respeitável, Breuer horrorizou-se ao ouvi-lha dizer: “O filho do Dr. Breuer está a nascer.” Acalmou-a por meio de hipnose e saiu. Na manha seguinte enviou-lhe outro médico e não voltou mais a tratá-la.
A gravidez fantasma de Anna O proporcionou a Freud outra ideia sobre como, na sua terapia, sondar o inconsciente. Era evidente que ela fantasiara um amor por Breuer e a existência de um filho deste. Baseado nestas e noutras observações semelhantes, Freud desenvolveu a sua teoria da transferência, que definiu como o deslocamento dos afectos e emoções relativos aos pais do paciente para o analista.

Freud e o desenvolvimento psicossexual:
 
 Freud considera que a compreensão do comportamento requer uma análise dos fenómenos psíquicos, isto é, um estudo da dinâmica dos acontecimentos da mente.
 Segundo Freud, a nossa estrutura psíquica é formado por três componentes/ instancias de personalidade: id, ego e superego.
 
ID
Também chamado infraeu ou infraego, é constituído por todos os impulsos biológicos, como a fome, sede e sexo, que exigem satisfação imediata. É o fundamento da sobrevivência individual e da espécie.
 
SUPEREGO
Também chamado supereu, é constituído pelo conjunto de regras e proibições impostas primeiramente pelos pais e depois pela sociedade em geral e que foram interiorizados pelo indivíduo. É o fundamento da moral.
 
EGO
Também chamado eu, é o elemento decisor dos conflitos travados entre o id e o superego. Constitui o fundamento racional da personalidade humana.
 
Estas três instancias, na opinião de Freud, estabelecem entre si uma relação dinâmica, muitas vezes conflitual, de que resulta a conduta das pessoas. O comportamento de umas pessoas compreender-se-á pela supremacia do id, enquanto o d outras se entende pela predominância do superego.
·      ID: é o primeiro elemento. Já nasce com a criança, o que significa que a energia psíquica deriva apenas de tendências instintivas de natureza biológica que visam a satisfação imediata na busca exclusiva do prazer A busca narcisista e egocêntrica de prazer levaria a constantes frustrações e conflitos dado que, no mundo real, não existem condições que permitam que o objecto necessário à libertação da energia pulsional seja encontrado, ou esteja disponível sempre que o individuo o procura.
 
·      EGO: Tem por função orientar as pulsões de acordo com as exigências da realidade, de modo a tornar possível a adaptação do indivíduo ao mundo externo. No seu papel de árbitro na luta entre as pulsões inatas e o meio, o ego, conta com a ajuda de um conjunto de mecanismos de defesa (recalcamentos) que se vão progressivamente formando e exercem um controlo inconsciente sobre as pulsões que ameaçam o equilíbrio psíquico do individuo. Os recalcamentos, como mecanismo de defesa, devolvem ao inconsciente os materiais que procuram tornar-se conscientes.
 
·      SUPEREGO: Se considerássemos a criança apenas em termos de id e ego, poderíamos dizer que ela seria perfeitamente amoral. O desenvolvimento do sentido de moralidade só é possível quando ser forma uma outra instância do aparelho psíquico: o superego. Este controlo imposto a partir do exterior tende, pouco a pouco, a ser interiorizado e, por volta dos sete anos, o superego é já uma instância interna que, segundo Freud, actua de modo automático e espontâneo. O superego representa um conjunto de valores nucleares como: honestidade, sentido de dever, obrigações, sentido de responsabilidade e outros. A constituição e a manifestação do superego não eliminam a actuação do id, que se mantém activo ao longo da vida. Toda a teoria freudiana se desenvolve à roda de conceitos de energia sexual ou libido.
Freud acredita que o desejo ou busca do prazer psicossexual surge no indivíduo antes da puberdade, logo a partir do nascimento.
Usa o termo prazer psicossexual num sentido muito amplo, que inclui as sensações agradáveis resultantes da estimulação de diversas áreas do corpo e considera que a energia psicossexual ou libido deriva de processos metabólicos.

Estádios do desenvolvimento psicossexual:
 
            No seu desenvolvimento, a criança atravessa uma série de fases ou estádios, cada um dos quais se associa a sensações de prazer ligadas a uma zona erógena específica. O controlo destas sensações origina conflitos cuja resolução influencia a formação da personalidade adulta. Para alcançar a maturidade psicológica, o indivíduo tem de resolver positivamente os conflitos próprios de cada etapa.
 
Estádio oral:
(Do nascimento aos 12/18 meses)
            Neste período, a boca é a principal fonte de prazer, por isso, constitui-se como zona erógena. Nesta fase, trate-se ou não de alimento, tudo o que a criança consegue agarrar e levado à boca. O seio materno é fonte de grande satisfação que lhe permite estabelecer uma relação afectiva de proximidade com a mãe, cuja natureza marca o modo como futuramente se relacionará com o mundo. É nesta fase que se começa a estruturar a personalidade.
 
 
Estádio anal:
(Dos 12/18 meses aos 3 anos)
            Após a digestão dos alimentos, estes vão-se acumulando na área rectal, até que a pressão nos músculos do esfíncter anal provoca a descarga reflexa. Esta descarga alivia a tensão, pelo que se torna agradável. É também por esta altura que os pais se preocupam com a criação de hábitos de higiene. Quer reter, quer expulsar as fezes se torna fonte de prazer, pelo que a região anal á a zona erógena desta fase.
 
Estádio fálico:
(Dos 3 aos 5/6 anos)
            É durante este período que os rapazes e as raparigas descobrem que o corpo do homem e da mulher são diferentes e começam a explorar o seu próprio corpo, apercebendo-se que a relação entre as pessoas envolve elementos de natureza sexual. O objecto da libido é, nesta fase, constituído pelos órgãos genitais. Pelo que a criança obtém prazer ao tocar-lhes. É também nesta fase que as crianças vivem a primeira experiência de amor heterossexual. O rapaz alimenta uma atracção especial pela mãe, ao mesmo tempo que desenvolve uma agressão competitiva em relação ao pai. A rapariga, por sua vez, sente-se atraída pelo pai, vendo a mãe como um obstáculo à realização dos seus desejos. Estas vivências foram designadas, no caso do rapaz, por “complexo de Édipo”, e, no da rapariga, por “complexo de Electra”, inspirando-se em personagens da tragédia grega. A atracção pelo progenitor do sexo oposto e o sentimento de rivalidade para com o outro fazem com que surja no rapaz o desejo de imitar o pai, de ser como ele, para conquistar a mãe. Por sua vez, a rapariga identifica-se com a mãe, querendo parecer-se com ela para seduzir o pai. Num e noutro caso, as crianças estão a construir o conceito de masculinidade e feminilidade.
 
Estádio de latência:
(Dos 5/6 anos aos 12/13 anos)
            Após a vivência da situação edipiana, a criança entra numa fase em que os desejos sexuais estão praticamente ausentes. Segundo Freud, o apaziguamento das pulsões sexuais é devido à amnésia infantil. A criança canaliza a energia psíquica para actividades de outro tipo. A curiosidade sexual cede lugar à curiosidade intelectual que a entrada na escola ajuda a desenvolver. O conhecimento do mundo físico e social amplia-se, afastando-se dos limites do mundo familiar carregado de afectividade. Deseja obter sucesso na escola ou noutras actividades, procurando tornar-se uma espécie de “criança modelo” bem comportada, apreciada pelos pais, professores e amigos. O aparelho psíquico, constituído pelas três instâncias – id, ego e superego -, está completamente organizado nesta fase, pelo que a estrutura da personalidade se encontra praticamente formada.
 
Estádio genital:
(Depois da puberdade)
            Ao período de uma sexualidade latente sucede-se um estádio em que a sexualidade desperta de novo e com grande intensidade. Isso deve-se ao fenómeno de maturação orgânica e aos impulsos desencadeados pela consequente produção de hormonas sexuais. O complexo de Édipo é revivido pelo adolescente de uma forma muito especial. O amor vivido no período fálico em relação ao progenitor do sexo oposto é agora canalizado para uma atracção heterossexual por pessoas alheias ao universo familiar. A satisfação dos impulsos da libido é agora procurada pela prática de actividades sexuais de natureza genital. Segundo Freud, não há fixação neste período, dado ser a ultima etapa do desenvolvimento psicossexual.
Em Resumo:
DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL SEGUNDO FREUD:
Estádio
Idade
aproximada
Fonte de
prazer
Conflito
Características
de personalidade
Oral
Do nascimento aos 12/18 meses
Boca, lábios e língua. Mamar, comer e morder.
Desmame
-Optimismo / pessimismo
-Impaciência
-Inveja
-Agressividade
Anal
Dos 12/18 meses aos 3 anos
Ânus. Reter, expulsar, controlar. Asseio.
Treino de higiene
Retentivo-anal:
-Avareza
-Obstinação
-Ordem compulsiva
-Meticulosidade
Expulsivo-anal:
-Crueldade
-Destruição
-Desordem
-Desarrumação
Fálico
Dos 3 aos 5/6 anos
Órgãos genitais. Explorar o próprio corpo e o dos outros. Tocar nos órgãos genitais.
Complexo de Édipo/Electra
-Orgulho / humildade
-Sedução/timidez
-Castidade / Promisquidade
Latência
Dos 5/6 anos aos 12/13 anos
Ausência de interesses sexuais. Curiosidade intelectual e relacionamento social.
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-Aprendizagem social
-Desenvolvimento da consciência moral
Genital
Depois da puberdade
Contactos sexuais com outras pessoas.
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Metodologia de investigação:
 
            Depois de ter abandonado a hipnose como meio de explorar o inconsciente, Freud considera que seria necessário constituir um método próprio. Criou então a psicanálise. O psicanalista, na sua prática terapêutica, recorre a diferentes formas de contornar as resistências que são impostas às revelações do inconsciente.
·         Associações livres: O psicanalista pede ao analisado que diga tudo o que sente e pensa, sem qualquer omissão, mesmo que lhe pareça não ter importância, ser desagradável ou absurdo. Neste processo, o psicanalista começa por dizer palavras soltas, enquanto que o analisado diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça quando se refere aquela palavra. Depois, o psicanalista tira conclusões sobre as respostas do analisado. Por exemplo: O psicanalista diz: “Felicidade”. O analisado responde: “Navalhas”. Como esta resposta fugiu ao normal de toda a gente, que responderia algo que a deixaria feliz, o psicanalista insiste neste tema até ter dados suficientes para tirar as suas conclusões. É no decorrer deste procedimento que se manifestam resistências, desejos, recordações e recalcamentos inconscientes que o analista procurará identificar e interpretar.
·         Interpretação dos sonhos: O psicanalista pede ao analisado para que lhe relate os sonhos. Segundo Freud, o sonho seria a realização simbólica (disfarçada) de desejos recalcados. Freud distingue o conteúdo manifesto do sonho (o que é lembrado, o que é consciente) e o conteúdo latente (os desejos, medos, recalcamentos que estão subjacentes). Cabe ao analista dar-lhe um sentido, interpretando os sonhos narrados.
·         Análise do processo de transferência: O psicanalista analisa e interpreta os dados do processo de transferência. Esta é uma transferência de traumas/sentimentos da sua fonte original para a relação com o psicanalista ou outra pessoa que rodeia o sujeito. A transferência é um processo em que o analisado transfere para o psicanalista os sentimentos de amor/ódio vividos na infância, sobretudo relativamente aos pais.
·         Análise dos actos falhados: O psicanalista procura interpretar os esquecimentos, lapsos e erros de linguagem, leitura ou audição do analisado. Segundo Freud, estes erros involuntários manifestariam desejos recalcados no inconsciente e que irromperiam na vida quotidiana. Estes lapsos são uma manifestação da luta entre o que o inconsciente quer e o que o consciente consegue tolerar.
 
 
Conclusão:
 
Freud afirmava que houveram três revoluções que mudaram a forma de encarar o ser humano: a primeira foi quando Copérnico no século XVI, demonstrou que a Terra não era o centro do universo, mas que integrava um conjunto de planetas que orbitavam em torno do Sol; a segunda aconteceu quando Darwin, no século XIX, mostrou que os seres humanos não eram uma espécie diferente dos outros animais, mas uma espécie que evolui a partir das outras; a terceira revolução seria protagonizada por si próprio, quando afirmou que não é a razão, a consciência, que controla a vida humana, mas as forças do inconsciente que ele desconhece e pouco controla.
Com Freud, abre-se uma nova perspectiva que nada tem a ver com a psicologia que toma como centro a consciência, ou que reduz o ser humano a uma fórmula simplista de comportamento estímulo-resposta. Na perspectiva freudiana, nos primeiros meses de vida de uma criança esta sentia pulsões, sobretudo de carácter sexual, que se manifestavam no seu dia-a-dia. “A criança é o pai do homem.”, afirmava Freud, querendo com isto dizer que o desenvolvimento cognitivo e social, bem como a sua personalidade seriam influenciados por aquilo que foram nos primeiros meses de vida.
Quanto às críticas, estas surgem em massa. Entre os vários críticos, destacam-se: Anna Freud (a sua filha), Jung, Alder, Otto Rank, Winnicott, Lakan, etc.

 

Texto de produção própria, mas baseado no livro "Ser Humano", Manual de Psicologia B do 12º ano da Porto Editora.

publicado por psicologiaxxi às 19:12

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